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quarta-feira, 6 de maio de 2020

E A HUMANIDADE, DEU CERTO?


"anos jogados fora num país como este e com esse tipo de gente"

Foto: Globo - Selmy Yassuda

Circula na internet uma carta cuja autoria é atribuída ao ator Flávio Migliáccio que aos 85 (oitenta e cinco) anos deixa o país mais triste sem sua presença, cultura e arte. Na missiva ainda afirma: “A humanidade não deu certo”. A primeira vista, certamente, vários de nós nos sentiremos representados nesta frase. Sem viés de julgamento e, sobretudo, com profundo respeito e carinho pela memória do autor da frase, queremos algo dizer sobre o ocorrido e o que representa, manifestando nossa opinião. 

Antes, um registro: minha melhor lembrança dos tempos idos de criança e, confesso, não sei explicar, é o seriado Shazan, Xerife e Cia. Flávio era o Xerife. Havia a “camicleta” e a vinheta de abertura era um desenho. Talvez por isso tenha essa lembrança, pois, na época do seriado, além de ser criança com aproximadamente 06 (seis) anos, na minha casa não tinha TV. 

De volta à reflexão, após a publicação da carta do Flávio, em seguida, passa a circular outra mensagem. Agora é um vídeo onde outro magnífico ator apresenta seus fundamentos para afirmar que compreende Flávio nas suas razões em deixar o mundo dos vivos. Tema espinhoso, triste, difícil, mas é do que se trata: suicídio. 

Não é o primeiro e, infelizmente, não será o último. Desconhecemos as razões que movem o ser na direção dessa decisão que para uns é ato de coragem, para outros nem tanto. Não nos é dado direito algum de julgar. Mas, é preciso refletir, chamar a atenção, não deixar passar em branco como se fossemos constituídos de rocha inerme ou do gelo da mais baixa temperatura. 

Sou Espírita! Não tenho alternativa para pensar no caso sem que, em minha mente, estejam presentes as Leis Divinas que aprendemos na Doutrina. Além do mais, no Evangelho Segundo o Espiritismo, há um texto onde Allan Kardec se dedica a análise de tão profundo problema humano: o suicídio (capítulo 5). 

O que percebemos na comunicação deixada pelo querido irmão Flávio é que o nosso entorno, isto é, a sociedade da qual fazemos parte, propagando ideias materialistas, não proporciona que todos possam atingir a calma, a resignação e a fé no futuro para que o Espírito, com a devida serenidade, preserve-se do cometimento do suicídio. 

De fato, somos provocados todo o tempo pelos problemas da vida e é preciso buscar forças para suportar, para receber os revezes com indiferença e, quem sabe, com alegria. Mas, são tantas as decepções que as circunstâncias podem nos levar ao desespero, perturbando-nos sobremaneira. 

Não há outros motivos para o infeliz “remédio heroico” que não o descontentamento, a impaciência e a incredulidade. Diante desse quadro o ser, que já se encontra infeliz, não vê outro modo ou solução que não seja matar-se, a fim de não aumentar o sofrimento. 

Agir assim é resultado da ausência de cultivo da esperança, do pensar que após a morte não haverá nada além do nada. É fruto da propagação das ideias eminentemente materialistas que, como veneno, penetra na mente humana e contribuem para que muitos assumam terríveis responsabilidades. 

Não discordamos da visão de mundo apresentada pelo descontentamento do Flávio, afinal Jesus nos ensinou que a felicidade não é deste mundo. Nossa mensagem aos que permanecessem é que é preciso modificar a visão da vida. Não há um final com a morte. A morte é como trocar de roupa. Depois do túmulo experimentamos condições inteiramente novas. Mas, é preciso paciência. É preciso resignação. A morte deve chegar para cada um de nós naturalmente. 

E, agora, pedindo vênia aos que pensam diferente, suplicamos sua generosidade em nos ofertar o benefício da dúvida para compartilharmos uma informação. Ao que nos é dado saber, a vida após a morte para os suicidas revela uma situação infeliz, uma vez que o mandamento “não matarás” vale para todas as criaturas. 

Não há sofrimento eterno, mas um que advém do sentimento de culpa, do arrependimento e da própria situação que o ser leva ao desencarnar. Não há nenhum salto evolutivo após a morte. Somos o que somos e levamos o que conseguimos amealhar em matéria de caráter, de inteligência e conhecimento, além do amor que aprendemos a cultivar. 

Diante desse quadro, nossa mensagem de esperança é: a vida futura é uma certeza; ninguém morre; a vida não cessa. Nossa passagem atual pelo planeta Terra é apenas uma das várias viagens que já fizemos nesse imenso universo. Acreditamos que a Doutrina Espírita que oferecemos nessas linhas, cujo objetivo não é lhe transformar num Espírita, mas, naquele que irá preservar todos os segundos que Deus lhe concedeu, certamente é infinitamente melhor que a doutrina oferecida pelo materialismo. 

Por último, nossa gratidão a toda alegria que o ator Flávio Migliáccio nos proporcionou enquanto estivemos juntos na presente jornada. Siga em paz!

Uberaba – MG, 06 de maio de 2020.

Beto Ramos

2 comentários:

  1. Excelente postagem Beto. eu também me lembro muito do seriado e do fato que o Xerife era o mais "simples"enquanto o outro era o mais esperto. O suicídio foi um tema muito estudado por kardec , tão estudado que temos um capítulo no livro O Céu e o Inferno que trata somente disto. Me lembrei de uma evocação do Sr Félicien, este Espírito no começo da evocação se mostra lúcido e demonstra tranquilidade . O suicido é condenado por TODAS as religiões , ao ponto de se proibirem ser enterrados e cemitérios . O materialismo traz a ideia do nada após a morte, e angustias na vida fazem algumas almas procurarem a fuga no NADA. O suicida não quer morrer, eu quer fugir da DOR que passa. O Espiritismo traz a ideia da vida futura e da utilidade da reencarnação que é a educação e modificação de nossas imperfeições. Como espíritas o nosso DEVER esta em instruir aquelas almas que estão passando por vicissitudes da vida e acolher os Espíritos que cometeram este ato. O acolhimento traz antes de tudo a retirada dos preconceitos e julgamentos que trazemos como atavismos de outras crenças. Ajudar estes irmãos e irmãs que passam, passaram ou passarão por isso é um exercício pleno da prática da caridade espírita .

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